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05/04/2014 19:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Sistema Cantareira bate novo recorde negativo e racionamento "não é consenso" em SP

Luis Moura/Estadão Conteúdo

Principal manancial de abastecimento de São Paulo, o Sistema Cantareira atingiu um novo recorde negativo neste sábado (5), ao atingir 13% de capacidade, de acordo com dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Apesar de atingir a marca mais baixa desde o início da operação do sistema, há 40 anos, o governo do Estado diz “não haver consenso” sobre a necessidade de racionamento.

“Essa questão não está cristalizada no governo. Não há um consenso sobre isso”, afirmou na última sexta-feira (4) o novo secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Marco Antonio Mroz. A adoção de medidas restritivas para o uso da água do Sistema Cantareira foi defendida pelo presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, mas ainda encontra resistência dentro de setores do governo paulista.

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Mroz afirmou acreditar que a água disponível é suficiente para levar o abastecimento até setembro, contrariando um comunicado recebido pela reportagem do Brasil Post no dia 21 de março deste ano, no qual a Sabesp afirma que “todos os estudos comprovam que se mantidas as condições de escassez de chuvas que ocorrem hoje, teríamos recursos para pelo menos até agosto”.

A companhia diz ainda, na mesma nota, que “a partir daí, poderia ser utilizada a reserva técnica (volume morto), que tem capacidade de mais 300 bilhões de litros”, garantindo o abastecimento até o próximo ano. Apesar disso, diariamente surgem notícias de municípios da Grande São Paulo que enfrentam cortes no fornecimento de água, sem explicação aparente.

Seja como for, a solução para a crise no Sistema Cantareira não parece passar pelas chuvas. O volume acumulado sobre a região do sistema nos cinco primeiros dias deste mês somou 20,6 milímetros, enquanto a média histórica para o mês de abril é de 89,3 milímetros. Ainda assim, Mroz se mostra confiante em uma solução “Se chover um pouco, vamos chegar até outubro, quando começa um novo ciclo hidrológico”, opinou.

Resta saber se o governo de São Paulo admitirá a necessidade de racionamento somente quando acabar toda a água do Sistema Cantareira, algo que, diante das circunstâncias, já não parece tão improvável de acontecer em alguns meses.

(Com Estadão Conteúdo)

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