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10/06/2014 23:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Dilma Rousseff critica "pessimistas" e defende governo antes da Copa do Mundo (VÍDEO)

A presidente Dilma Rousseff fez nesta noite de terça-feira (10) um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV para falar da realização da Copa do Mundo de Futebol no País. "Para o Brasil, sediar a Copa do Mundo é motivo de satisfação, de alegria e de orgulho", afirmou a presidente, saudando os que estão chegando ao Brasil para assistir ao mundial. "Em nome do povo brasileiro, saúdo a todos que estão chegando para esta que será, também, a Copa pela paz e contra o racismo; a Copa pela inclusão e contra todas as formas de violência e preconceito; a Copa da tolerância, da diversidade, do diálogo e do entendimento."

Dilma lembrou que a seleção brasileira é a única que disputou todas as Copas do Mundo realizadas até hoje e que, em todos os países, os brasileiros foram muito bem recebidos. "Vamos retribuir, agora, a generosidade com que sempre fomos tratados, recebendo calorosamente quem nos visita."

A presidente aproveitou o discurso para rebater as críticas feitas à realização da Copa no País. "Para qualquer país, organizar uma Copa é como disputar uma partida suada - e muitas vezes sofrida. Com direito a prorrogação e disputa nos pênaltis." Mas, segundo ela, o resultado e celebração final valem o esforço.

Para a presidente, o "Brasil venceu os principais obstáculos e está preparado para a Copa, dentro e fora do campo". Mas, destacou a presidente, para que esta vitória seja mais completa, é "fundamental que todos os brasileiros tenham uma noção correta de tudo que aconteceu". "Uma visão sem falso triunfalismo, mas também sem derrotismo ou distorções", enfatizou.

Dilma afirmou que, "no jogo, que começa agora, os pessimistas já entram perdendo", pois foram derrotados pela capacidade de trabalho e determinação do povo brasileiro. "Os pessimistas diziam que não teríamos Copa porque não teríamos estádios. Os estádios estão aí, prontos. Diziam que não teríamos Copa porque não teríamos aeroportos. Praticamente, dobramos a capacidade dos nossos aeroportos", afirmou a presidente.

Com relação a racionamento de energia, a presidente foi enfática: "Quero garantir a vocês: não haverá falta de luz na Copa, nem depois dela." Segundo ela, nosso sistema elétrico "é robusto, é seguro, pois trabalhamos muito para isso". A presidente afirmou ainda que, além das grandes obras físicas e da infraestrutura, está sendo entregue um sistema de segurança capaz de proteger a todos. Ela ainda falou do sistema de comunicação e transmissão, destacando que ele reúne o que há de "mais avançado em tecnologia, incluindo redes de fibra ótica e equipamentos de última geração, em todas as 12 sedes".

Contas serão analisadas, garante Dilma

De acordo com Dilma, a Copa do Mundo fez com que o governo apressasse obras e serviços que já estavam previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destacando a construção, ampliação e reformas de aeroportos, portos, viadutos, sistemas de transporte público. "Fizemos isso, em primeiro lugar, para os brasileiros. Tenho repetido que os aeroportos, os metrôs, os BRTs e os estádios não voltarão na mala dos turistas", disse.

Dilma lembrou que as obras trarão bons resultados para todos os brasileiros. "Uma Copa dura apenas um mês, os benefícios ficam para toda vida." A presidente disse que os novos aeroportos não eram uma necessidade apenas para receber os turistas. Mas, argumentou, com o aumento do emprego e da renda, o número de passageiros mais que triplicou nos últimos dez anos: de 33 milhões em 2003, para 113 milhões de passageiros no ano passado, e deve chegar a 200 milhões em 2020. "Por isso, precisávamos modernizar nossos aeroportos para, acima de tudo, melhorar o dia-a-dia dos brasileiros que, cada vez mais, viajam de avião."

Dilma destacou, ainda, que além das obras físicas e da infraestrutura, está sendo entregue um sistema de segurança "capaz de proteger a todos, capaz de garantir o direito da imensa maioria dos brasileiros e dos nossos visitantes que querem assistir os jogos da Copa".

A presidente aproveitou ainda para rebater as críticas dos que alegam que os recursos da Copa deveriam ter sido aplicados na saúde e na educação. "Escuto e respeito essas opiniões, mas não concordo com elas. Trata-se de um falso dilema", disse. Segundo a presidente, de 2010, quando começaram as obras dos estádios, até 2013, o governo federal, Estados e municípios investiram cerca de R$ 1,7 trilhão em educação e saúde. Enquanto isso, os investimentos nos estádios somaram R$ 8 bilhões. "Ou seja: no mesmo período, o valor investido em educação e saúde no Brasil é 212 vezes maior que o valor investido nos estádios", comparou. A presidente disse ainda que os orçamentos da saúde e da educação estão entre os que mais cresceram no seu governo.

"É preciso olhar os dois lados da moeda. A Copa não representa apenas gastos, ela traz também receitas para o País. É fator de desenvolvimento econômico e social. Gera negócios, injeta bilhões de reais na economia, cria empregos." Dilma lembrou que as contas da Copa estão sendo analisadas, "minuciosamente", pelos órgãos de fiscalização. "Se ficar provada qualquer irregularidade, os responsáveis serão punidos com o máximo rigor."

Oposição promete acionar Dilma no TSE por pronunciamento

A oposição à presidente Dilma Rousseff criticou nesta noite de terça-feira o pronunciamento em cadeia nacional de televisão que ela fez para defender e saudar a realização da Copa do Mundo e prometeu acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propaganda eleitoral antecipada.

Segundo o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), vice-líder da bancada no Senado, o departamento jurídico do partido deverá apresentar uma ação no TSE. "Faremos o que tem sido feito sempre: uma ação junto ao TSE. O governo e o PT estabeleceram uma concorrência desigual com os adversários em ano eleitoral. Estamos na fase final das convenções partidárias e a presidente está abertamente em campanha em um horário que é do Estado brasileiro. O departamento jurídico do partido tomará iniciativa quanto a isso", disse.

Para ele, o governo abusa do direito de utilizar a cadeia nacional. "Há um abuso. A legislação é ignorada. Os adversários são agredidos impunemente. É um modelo espúrio. Utiliza-se sem escrúpulos a máquina pública de forma abusiva. Além do que o conteúdo é absolutamente contestável", concluiu.O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), foi na mesma linha: "É o uso do horário institucional da Presidência da República para fins eleitorais, de forma escancarada. Os partidos de oposição devem representar junto ao TSE. É um abuso reiterado. Ela confunde o papel de presidente com o de candidata".

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