Por que as lésbicas são chamadas de sapatões e os gays, de veados?

A reveler flutters a rainbow flag during the Gay Pride Parade in Medellin, Antioquia department, Colombia on June 28, 2015. AFP PHOTO / Raul ARBOLEDA        (Photo credit should read RAUL ARBOLEDA/AFP/Getty Images)
A reveler flutters a rainbow flag during the Gay Pride Parade in Medellin, Antioquia department, Colombia on June 28, 2015. AFP PHOTO / Raul ARBOLEDA (Photo credit should read RAUL ARBOLEDA/AFP/Getty Images)

A relação dos termos "veado" (ou "viado", como se costuma falar) e "sapatão" com a homossexualidade é bem literal mesmo. "Sapatão", como já se pode imaginar, faz referência a pés grandes, uma característica masculina.

Segundo o etimologista Reinaldo Pimenta, no livro Casa da Mãe Joana 2, o termo "surgiu na década de 1970, quando as mulheres com orientação sexual alternativa tinham predileção por usar um tipo de calçado mais caracteristicamente masculino".

Outro etimologista, Deonísio da Silva, autor de De Onde Vêm as Palavras, vai um pouquinho além: "Em casais de lésbicas, as mulheres que faziam as vezes de marido assimilaram o preconceito, fazendo questão de usar sapatos grandes. Já as que faziam as vezes da esposinha eram em geral menores, mais esbeltas e usavam sapatos menores. Logo, foram caricaturadas como sapatão e sapatinha".

Já "veado"é uma associação do perfil do animal - magro, esguio e lépido - com o dos homens afeminados, que talvez tenha origem em um "causo" carioca.

Dizem que, nos anos 20, um comissário de polícia foi incumbido de prender os homossexuais que circulavam pelas imediações da praça Tiradentes, na região central do Rio de Janeiro. Ele fracassou e, para explicar a falha, disse que, quando seus homens se aproximavam, os delicados alvos fugiam correndo como veados. O episódio ganhou a imprensa carioca e, logo, a boca do povo.