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03/12/2015 21:06 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

O que o PMDB, partido de Cunha, vai fazer sobre o impeachment de Dilma?

ED FERREIRA/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O PMDB, partido do vice Michel Temer e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), terá papel fundamental na decisão final sobre o impeachmentda presidente Dilma Rousseff. A legenda, entretanto, não tem um posicionamento uniforme formado em torno do impedimento da presidente.

A cúpula do partido decidiu manter reserva antes de se pronunciar. Os principais caciques da legenda levarão em conta indicadores como os movimentos das ruas, reação do Supremo Tribunal Federal e o comportamento da economia.

“Só depois desse termômetro que eles vão começar a se articular. Por enquanto, está muito incipiente. Ninguém sabe ao certo o que esperar”, diz um peemedebista próximo ao presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL). Para ele, é preciso esperar a poeira baixar. “Essa visão londrina das coisas não dá."

Os peemedebistas sustentam que a decisão do presidente da Câmara de aceitar um dos pedidos de impeachment contra a presidente da República surpreendeu.

Segundo integrantes da legenda, o tema não chegou a ser discutida com outros integrantes da legenda. Eles argumentam que prova disso é que Renan foi informado por Cunha da decisão do impedimento enquanto presidia a sessão do Congresso, pouco antes do anuncio oficial.

Governador do Rio de Janeiro e um dos escudeiros de Dilma, Luiz Fernando Pezão (PMDB) foi um dos que tomou partido e alfinetou Cunha. Para ele, Cunha errou na decisão, que “não ajuda o País” e deveria se afastar do cargo.

Na Câmara, a situação é nebulosa. O líder da legenda,Leonardo Picciani (RJ), é um dos deputados que já tem um posicionamento formado. Ele permanece contra o impedimento de Dilma.

“Não vejo motivo jurídico para levar o impeachment adiante. Não vou mudar minha opinião”, tem repetido Picciani.

O postura de Picciani deixou indignada a ala do PMDB que defende a queda de Dilma. O partido de Cunha é o que mais cadeiras terá na comissão especial (oito lugares, mesmo tanto que o PT) e quem indicará os membros é Picciani. Ele já informou aos correligionários que fará uso da sua prerrogativa de líder.

Ao HuffPost Brasil, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), favorável ao impeachment, diz que o partido tem na Câmara quase metade dos votos contra a presidente.

“E este número vai aumentar. O deputado do PMDB que não acompanhar o impeachment vai ser atropelado pelas ruas. Os movimentos sociais vão desequilibrar e definir o momento. Os brasileiros estão indignados tanto com Cunha quanto com Dilma. Não é um contra o outro, é a população em busca de uma nova agenda política, uma que restabeleça a esperança.”

Impeachment

Cunha decidiu aceitar um dos pedidos de impeachment contra a presidente quando soube que o PT deixaria de apoiá-lo no Conselho de Ética.

Ele é alvo de um processo de quebra de decoro, que pede sua cassação. Autores da representação, o Psol e a Rede apresentaram uma série de argumentos contra o presidente da Casa, como a delação premiada de Julio Camargo, que acusa o peemedebista de ter cobrado propina, as contas na Suíça e a suspeita de que ele tenha mentido na CPI da Petrobras, ao dizer que não tinha contas bancárias no exterior.

Ao saber do pedido de impeachment, Dilma rebateu e disse que não cede a chantagem.

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