OPINIÃO
29/06/2015 17:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

12 consequências devastadoras se a Grécia voltar ao dracma

Recentemente temos visto um clima, cultivado ardilosamente em vários círculos, favorável à volta do dracma. Centros empresariais motivados pelo lucro e com propósitos egoístas fazem um esforço orquestrado de propaganda para influenciar a opinião pública, explorando seis anos de recessão e de ausência de um plano claro para sairmos da crise.

ARIS MESSINIS via Getty Images
Protesters participate in a demonstration calling for a 'No' vote in the forthcoming referendum on bailout conditions set by the country's creditors, in front of the Greek parliament in Athens on June 29, 2015. Greece shut its banks and the stock market and imposed capital controls after creditors at the weekend refused to extend the country's bailout past the June 30 deadline, prompting anxious citizens to empty ATM's. AFP PHOTO / ARIS MESSINIS (Photo credit should read ARIS MESSINIS/AFP/Getty Images)

Recentemente temos visto um clima, cultivado ardilosamente em vários círculos, favorável à volta do dracma. Centros empresariais motivados pelo lucro e com propósitos egoístas fazem um esforço orquestrado de propaganda para influenciar a opinião pública, explorando seis anos de recessão e de ausência de um plano claro para sairmos da crise.

Esse clima também se apoia no fato de que uma porção significativa dos dois partidos da coalizão defendem abertamente a volta da dracma e são contra qualquer tipo de reforma que vá na direção oposta.

Apesar de a maioria da população ainda ser consistentemente positiva a respeito da orientação europeia do país, preferindo o euro como moeda, aumentou a porcentagem das pessoas que se diz indiferente a uma possível transição para a dracma. Essas pessoas acreditam que seus padrões de vida não seriam alterados com a volta à antiga moeda. Mas, analisando todas as informações financeiras de tal acontecimento, concluímos que os efeitos seriam muito duros e dolorosos.

Eis as consequências de uma volta à dracma:

1. Rápida desvalorização da dracma perante outras moedas (a taxa poderia passar de 1 000 dracmas para 1 euro). Uma tentativa de ancorar a dracma no euro está fadada ao fracasso (como aconteceu na Argentina), por causa da fuga de capitais e do esvaziamento das reservas de moedas internacionais.

2. A desvalorização vai fazer a inflação atingir níveis de 40% ou mais, limitando ainda mais o poder de compra dos cidadãos.

3. A fuga de capitais e o aumento da inadimplência serão o golpe de misericórdia no enfraquecido sistema financeiro do país, que entraria em colapso, "enxugando" a economia real.

4. Nessa eventualidade, o congelamento de salários e pensões seria inevitável durante um certo tempo, até a volta da liquidez. As consequências das manifestações populares são imprevisíveis.

5. O PIB provavelmente vai encolher para dois terços dos níveis atuais.

6. A dívida pública da Grécia, que totaliza 322 bilhões de euros, vai aumentar automaticamente, dependendo da desvalorização da dracma, multiplicando nosso endividamento.

7. Mesmo que uma reestruturação se siga à quebra do país, haverá muito sofrimento. Ela vai ser acompanhada de um novo pacote de salvamento (dessa vez só do FMI) e de pesadas medidas de ajuste fiscal.

8. Haverá também um aumento das dívidas privadas, por meio da explosão das taxas de empréstimo e depósito, numa tentativa de controlar a inflação. Altas taxas de juros também vão dificultar o financiamento das empresas.

9. O negócio da importação vai ser sufocado por causa do mercado enfraquecido, da desvalorização da dracma e da óbvia falta de crédito.

10. A queda na importações vai significar falta de itens essenciais, pois, como sabemos, a Grécia não é auto-suficiente em matérias primas e depende de importações para se abastecer de trigo, leite e carne, por exemplo.

11. Investimentos predatórios estrangeiros vão invadir o país, comprando empresas, propriedades e propriedades públicas por preços irrisórios. Isso vai levar a uma venda generalizada do país.

12. Isolamento diplomático e econômico da Grécia, que, numa situação muito difícil, não será capaz de acompanhar os eventos geopolíticos da região nem os desafios de seus vizinhos.

Está claro que não deveríamos basear nossas esperanças em soluções fúteis e perigosas, tais como a volta à dracma. Vamos desenhar um plano de longo prazo que transforme a Grécia num país europeu moderno e bem governado, com uma economia forte e livre das patologias crônicas que a incomodam.

Post publicado originalmente no HuffPost Grécia.

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