OPINIÃO
28/10/2020 13:00 -03 | Atualizado 28/10/2020 13:00 -03

'A Caminho da Lua' busca fórmula de sucesso da Disney para triunfar na Netflix

Com visual estonteante e história um tanto genérica, animação conquista o público da plataforma de streaming.

Após a excelente recepção de Klaus, um dos maiores hits da Netflix no ano passado, a plataforma de streaming seguiu os passos da animação espanhola com um plano (bem) mais ambicioso. Ao invés de comprar uma produção já pronta para exibir em seu catálogo, a gigante do streaming resolveu bancar sua própria animação mirando ninguém mais que a Disney.

E o plano, pelo menos no que diz respeito à audiência, está dando certo, pois, desde que estreou na plataforma, no dia 16 de outubro, A Caminho da Lua alcançou a liderança do Top 10 das produções mais vistas na Netflix.

A fórmula do sucesso dessa co-produção EUA/China - uma relação que, pelo menos no campo do entretenimento, é muito bem-vinda pelos dois países - parece ter saído dos algoritmos que a própria Netflix usa para manter a atenção de seus usuários. Pegue um animador que participou de grandes títulos da Disney, desenvolva um roteiro com todos os clichês “disneyanos” possíveis em uma história com forte apelo emocional, invista no que há de mais tecnológico em animação de dois líderes no seguimento (EUA e China) e, voilà.  

Dirigido pelo americano Glen Keane — animador de produções do período de ouro do renascimento da Disney, como A Pequena Sereia (1989), A Bela e a Fera (1991), Aladdin (1992), Pocahontas - O Encontro de Dois Mundos (1995), entre outros, além de faturar um Oscar com o curta Dear Basketball —, A Caminho da Lua ganhou a preferência do público com um visual estonteante e um formato que as pessoas conhecem de cor e salteado.

A história, um tanto genérica, mistura, sem nenhuma sutileza, elementos presentes em diversos títulos da Disney/Pixar, como, por exemplo, uma trama que fala sobre perda, um personagem coadjuvante fofinho que fala sem parar e a exploração de uma cultura “exótica”. Tudo embalado em um produto tecnicamente impecável.  

Fascinada pela história de Chang’e (voz original de Phillipa Soo), uma deusa que vive na lua separada de seu grande amor, o guerreiro Houyi (Conrad Ricamora), a pré-adolescente Fei Fei (voz original de Cathy Ang) constrói uma nave espacial para provar que a lenda é verdadeira. Ao chegar em seu destino, ela é desafiada por uma ressentida Chang’e a encontrar um presente que Fei Fei teria de dar para ela em troca de uma foto que provaria sua existência aos familiares de Fei Fei. Na jornada para descobrir o que seria esse presente, a garota encontra Gobi, um ser lunar que foi exilado por Chang’e que vai ajudá-la em sua missão.

É uma pena que a história de A Caminho da Lua não consiga lidar com os temas profundos que propõe — perda, luto e aceitação — com a mesma competência de sua grande fonte de inspiração nesse quesito: a Pixar.

Se conseguisse alcançar esse objetivo, a animação tinha potencial para figurar em as grandes produções do gênero na última década. Mesmo assim, A Caminho da Lua não deixa de ser um ótimo entretenimento para crianças e tem tudo para ser o maior sucesso da Netflix em 2020.