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12/03/2020 21:30 -03 | Atualizado 12/03/2020 21:46 -03

Após minimizar coronavírus, Bolsonaro pede adiamento de protestos do dia 15

Atendendo ao apelo do presidente, movimento Avança Brasil convocou um panelaço no lugar de manifestações nas ruas.

Adriano Machado / Reuters
Presidente fez testes para coronavírus após confirmação de vírus em chefe da Secom. 

Mais de 24 horas depois de a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar o surto de coronavírus uma pandemia, o presidente Jair Bolsonaro falou pela primeira vez, na noite desta quinta (12), em adiar as manifestações do próximo domingo (15).

Bolsonaro deu a declaração em uma live no Facebook, horas depois de ele mesmo ter sido submetido a um exame para detectar a presença do coronavírus - junto com a primeira-dama, Michelle, e o filho do presidente Eduardo Bolsonaro. Todos eles estiveram em contato com o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, que está com COVID-19.

“O que vamos fazer agora é evitar que haja uma explosão de pessoas infectadas. Como presidente, eu tenho que tomar uma posição. O recado já foi dado. O movimento não é meu, é espontâneo e popular. Uma das ideias é adiar, suspender as manifestações. Daqui um mês, dois meses. Já foi dado um tremendo recado ao parlamento”, afirmou o presidente ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. 

Bolsonaro voltou a falar sobre o assunto em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, quando disse que “há recomendação das autoridades sanitárias para que evitemos grandes concentrações populares. Queremos um povo atuante e zeloso com a coisa pública, mas jamais podemos colocar em risco a saúde da nossa gente. Os movimentos do dia 15 de março são espontâneos e legítimos e atendem o interesse da nação, balizados pela lei e pela ordem, demonstram o amadurecimento da nossa democracia presidencialista e são expressões evidentes de nossa liberdade. Precisam, no entanto, diante dos fatos recentes ser repensados”.

Ele não deixou, porém, de deixar claro seu apoio aos protestos, para os quais, inclusive, convocou a população no último sábado (7), quando estava a caminho dos EUA. “O povo está atento e exige de nós respeito à Constituição e zelo pelo dinheiro público. Por isso, as motivações da vontade popular continuar vivas e inabaláveis”, afirmou, em um recado claro ao Congresso, que na noite de quarta (11) derrubou um veto presidencial que pode gerar um impacto fiscal de R$ 20 bilhões só no primeiro ano. 

Reprodução/ Facebook
"O que vamos fazer agora é evitar que haja uma explosão de pessoas infectadas", disse Bolsonaro.

 

Alerta no governo 

Bolsonaro, Mandetta e a intérprete de libras apareceram na live de máscaras. O resultado do exame do presidente, conforme o ministro, deve sair nesta sexta (13). 

“Um homem de 64 anos, hígido, que faz suas caminhadas, já passou seu organismo por uma agressão, que foi aquela facada até hoje não explicada, que superou, tem o sistema imunológico forte, faz um quadro de resfriado, gripe. Tem que manter cuidado por causa das outras pessoas”, disse Mandetta ao presidente, quando questionado qual deve ser o resultado de seu exame. 

E continuou: “Se der positivo, o presidente vai despachar daqui [Palácio da Alvorada]. A gente vai recomendar o isolamento domiciliar. Se não der positivo, ou der outro vírus, que é mais comum, que é o influenza, a gente libera a vida normal, todo mundo tomando os cuidados de etiqueta respiratória, usar o álcool em gel, lavar as mãos, e seguir a vida, semana em semana, vai vendo.”

Quando ainda estava nos EUA, Bolsonaro chegou a dizer que o surto de coronavírus, classificado como pandemia na quarta-feira (11) pela OMS (Organização Mundial de Saúde), era “muito mais uma fantasia”. “Obviamente temos no momento uma crise, uma pequena crise. No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo”. 

Enquanto o resultado não sai, Bolsonaro recomendou a amigos que não o visitem no Palácio da Alvorada. A determinação de adiar as manifestações foi passada a aliados por telefone. 

Até o fim da tarde, como mostrou o HuffPost, movimentos e deputados bolsonaristas ignoravam o avanço do coronavírus no País e as orientações do Ministério da Saúde para evitar aglomerações. 

Após a live, contudo, a deputada Carla Zambelli, que antes havia colocado a frase “15/3 eu vou” junto ao seu nome no Twitter, retirou a data e postou o apelo do presidente sobre o adiamento. 

O Movimento Avança Brasil, um dos organizadores, divulgou uma nota em que comunica o adiamento dos protestos e chama um “mega panelaço” no domingo às 20h “em desagravo às atitudes de congressistas IRRESPONSÁVEIS que não tem o BRASIL ACIMA DE TUDO e que somente pensam em seus benefícios particulares”. Finalizam a nota com a hashtag #PanelaçoPeloBrasil. 

No governo, que até então concentrava os esforços contra o coronavírus no Ministério da Saúde, a chegada de um caso no centro do governo acendeu alertas e motivou a criação de uma espécie de gabinete de crise. Isso ainda está em estudo, não é nada concreto - até porque os ministros palacianos tiveram recentemente contato com Wajngarten e aguardam respostas. 

Além disso, a medida provisória que vai liberar R$ 5 bilhões para a Saúde, negociada na noite de quarta com o Congresso, deve ser editada nesta sexta. 

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