NOTÍCIAS
13/03/2020 12:58 -03 | Atualizado 13/03/2020 15:37 -03

Fazendo sinal de 'banana', Jair Bolsonaro divulga que não está com coronavírus

Presidente fez o exame após secretário de Comunicação da Presidência testar positivo para a Covid-19.

Reprodução/ Twitter

O presidente Jair Bolsonaro divulgou que não está com coronavírus. Nas suas redes sociais, ele escreveu que tanto os exames feitos no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, como no laboratório Sabin - o primeiro teste e a contraprova - deram negativo.

Bolsonaro divulgou o resultado junto com sua imagem “dando uma banana” para os jornalistas.

Também a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o filho Eduardo, e o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República testaram negativo para coronavírus. 

Todos foram submetidos a exames após a confirmação de que o chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Fabio Wajngarten,  está com o vírus.

Como mostrou o HuffPost nesta sexta, Wajngarten acompanhou o presidente aos Estados Unidos e, segundo fontes do governo, já viajou doente e se negou a realizar o exame por lá.

Reprodução/ Facebook

O temor das autoridades em Brasília é que os integrantes da comitiva tenham transmitido o coronavírus a outras pessoas na Esplanada dos Ministérios.

Além disso, o chefe da Secom de Bolsonaro passou ao menos 10 minutos em contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a colunista da Folha Mônica Bergamo. Wajngarten tirou fotos ao lado de Trump e deu bonés a ele.

Nesta sexta, o prefeito de Miami, Francis Suarez, que esteve com integrantes do governo brasileiro, confirmou que está com coronavírus. Desde quinta (12), ele já havia decidido ficar em quarentena. 

Também na comitiva presidencial que foi aos EUA, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, já fez o exame e testou negativo para coronavírus, assim como o deputado Daniel Freitas (PSL-SC).

Ainda viajaram aos Estados Unidos os ministros Ernesto Araújo (Itamaraty) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa), os senadores Nelsinho Trad (PTB-MS) e Jorginho Mello (PL-SC). 

Por conta do contato que os parlamentares integrantes da comitiva tiveram com Wajngarten e Bolsonaro, no Congresso já se fala em suspender as atividades por até duas semanas no pico da contaminação do vírus. O Ministério da Saúde acredita que esse período de maior transmissão possa ocorrer em até duas semanas e meia. 

Nesta sexta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), negou que esteja com COVID-19 e também que tenha se submetido a exames. Já o comandante do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), deve realizar testes até segunda-feira (16).

Para Bolsonaro, coronavírus era ‘muito mais fantasia’

Quando ainda estava nos EUA, Bolsonaro chegou a dizer que o surto de coronavírus, classificado como pandemia na quarta-feira (11) pela OMS (Organização Mundial de Saúde), era “muito mais uma fantasia”.

“Obviamente temos no momento uma crise, uma pequena crise. No meu entender, muito mais fantasia a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo.”

Não foi só ele. O chefe da Secom, Fabio Wajngarten, o primeiro caso no centro do Poder com coronavírus confirmado, também minimizou o fato. Na quarta (11), um dia antes de seu exame dar positivo, ele publicou em seu Twitter afirmando estar bem, mencionando “a banda podre da imprensa”. 

Nesta sexta, após o HuffPost publicar que ele se negou a fazer o teste enquanto ainda estava nos EUA, Wajngarten voltou à rede social, o chefe da Secom não negou a informação e acrescentou que foi ao hospital assim que desembarcou em São Paulo. 

Nesta sexta-feira (13), a rede americana CNN publicou que fontes próximas ao presidente Donald Trump disseram que ele está “muito preocupado” com a possibilidade de ter contraído o coronavírus após contato com a delegação brasileira.

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost