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19/03/2020 22:23 -03 | Atualizado 20/03/2020 08:57 -03

'Quem insiste em atacar e humilhar a China dá um tiro no próprio pé', diz embaixada chinesa

Eduardo Bolsonaro desencadeou crise diplomática. China não aceitou resposta dele, nem do Itamaraty, e quer um pedido de desculpas.

Yuri Gripas / Reuters
Filho do presidente, Eduardo criou uma crise diplomática. 

A Embaixada da China no Brasil não aceitou a maneira como o
Itamaraty administrou a crise criada pelo filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Em nota, o país pediu que o parlamentar peça desculpa. 

“Como deputado federal, ao invés de contribuir devidamente para esse combate,  você tem gastado tempo e energia para atacar deliberadamente a China e espalhar boatos”, escreveu a representação chinesa em uma postagem no Twitter.

Em cinco tuítes e na nota oficial, a embaixada respondeu uma mensagem de mais cedo do filho do presidente Jair Bolsonaro na qual ele se justificou pelo post de quarta-feira. Na primeira publicação, Eduardo culpa os chineses pela pandemia de coronavírus, comparando a crise sanitária atual ao acidente nuclear em Chernobyl, na antiga União Soviética. 

Ele escreveu que sua intenção “nunca foi a de ofender o povo chinês ou de ferir o bom relacionamento existente entre os nossos países”. “Não creio que um tweet isolado de um parlamentar levantando questionamentos sobre a conduta de um governo estrangeiro tenha condão para tanto”, disse. “Não desejamos problemas com a China e certamente, o país asiático também não busca conflitos com o Brasil”, acrescentou.

“São absurdas e preconceituosas as suas palavras, além de irresponsáveis. Não vale a pena refutá-las. Aconselhamos que busque informações científicas e confiáveis nas fontes sérias como a OMS [Organização Mundial de Saúde, úteis para ampliar a sua visão”, destacou. A Embaixada da China ainda insinuou sobre riscos de se humilhar o povo chinês. 

O embaixador do país no Brasil, Yang Wanming, já havia feito esse alerta indiretamente, destacando em postagens nas quais retrucava Eduardo ainda na noite de quarta que as declarações do filho 03 de Bolsonaro “vão ferir a relação amistosa China-Brasil”.  

Na nota, a embaixada classifica o comportamento do filho do presidente como “totalmente errôneo e inaceitável”, além de “repudiado pelo lado chinês”.

A avaliação de fontes do Itamaraty é que Eduardo pisou em um terreno perigoso e que a China já teve mais “paciência” do que deveria com o Brasil do que seria normal. 

Os chineses ficaram insatisfeitos com o posicionamento do próprio governo brasileiro. Desagradou-lhes sobremaneira a nota oficial do Itamaraty, em que o chanceler Ernesto Araújo afirma que houve “ofensa” ao chefe de Estado do Brasil e que as postagens de Eduardo “não refletem a posição do governo brasileiro”. 

“Cabe lembrar, entretanto, que em nenhum momento ele [Eduardo] ofendeu o Chefe de Estado chinês”, escreveu Araújo. “A reação do Embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática”, destaca o texto do chanceler. 

“Temos expectativa de uma retratação por sua repostagem ofensiva ao Chefe de Estado”, diz Araújo. Para a China, esse pedido é descabido. 

Na avaliação do país asiático, o governo brasileiro comprou, sem senso crítico, o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também já fez declarações neste sentido. Vale ressaltar que a China é o principal parceiro econômico do Brasil.

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