NOTÍCIAS
11/06/2020 18:08 -03 | Atualizado 11/06/2020 23:50 -03

Mortes por covid-19 chegam a 40.919 e Brasil pode se tornar segundo país com mais vítimas

Levantamento das secretarias estaduais de saúde mostra que há 802.828 casos confirmados.

Em mais um marco do avanço da pandemia no Brasil, o total de mortes causadas pela covid-19 superou os 40 mil e chegou a 40.919 nesta quinta-feira (11), de acordo com levantamento divulgado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com dados até as 18h.

São 1.240 óbitos a mais do que os informados pelo colegiado nesta quarta-feira (10). O cenário se aproxima do segundo País com mais vítimas fatais da doença, o Reino Unido, que acumula 41.364 registros.

Quanto aos casos confirmados, são 802.828, de acordo com o Conass, 30.412 a mais do que os 772.416 registrados no balanço de ontem.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera, com 10.145 óbitos, seguido pelo Rio de Janeiro (7.363), Ceará (4.663), Pará (4.030) e Pernambuco (3.633). 

Desde a semana passada, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta não informou o acumulado de mortes e diagnósticos na última sexta-feira (5). Também foi anunciada uma mudança na metodologia.

Atualmente, o Brasil é o epicentro da pandemia no mundo. Enquanto todos os países mostraram desaceleração a partir do 50º dia após o início da contaminação, nós seguimos na direção contrária. A partir do 54º dia, o Brasil é o país com a maior taxa de crescimento de casos confirmados, de acordo com dados analisados pelo grupo Covid-19 Brasil. 

A iniciativa reúne cientistas de universidades brasileiras e de centros de pesquisa como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais diagnósticos, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com 2 mihões de casos, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins.

A diferença das taxas de testagem dos dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos Estados Unidos e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Quanto ao total de mortes, o Brasil é o terceiro país na comparação mundial, atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido. A posição foi alcançada na semana passada, após superar a Itália, que foi um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

O novo coronavírus já causou mais de 418 mil óbitos no mundo. São 7,4 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta quinta.

Evolução da pandemia no Brasil

Os dados mais recentes evidenciam mais uma vez o agravamento da crise sanitária no País, assim como a aceleração. O marco de mais de 10 mil mortes foi atingido em 9 de maio. Em 21 de maio, o total dobrou para ultrapassar 20 mil óbitos. Em 2 de junho, as vítimas fatais da pandemia superaram o patamar de 30 mil.

Nesta quinta, pela 14ª vez, há mais de mil mortes notificadas de um dia para o outro. Isso ocorreu pela primeira vez em 19 de maio, quando foram confirmados 1.170 óbitos.

O número também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Na semana seguinte, em 25 de maio, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial. 

Segundo dados apresentados na semana passa pelo Ministério da Saúde, o Brasil ocupa a 34ª entre as taxa de incidência do vírus no mundo e a 21ª maior taxa de mortalidade. Ambos os indicadores consideram a população das nações.

São 2.779 casos por milhão de habitantes no País e 155 óbitos por milhão de habitantes. Os indicadores variam dentro do território, sendo que a região Norte está na situação mais crítica. São 333 óbitos por milhão de habitantes. 

Também de acordo com a pasta, até a última quinta (4), 4.222 (75,8%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.821 (32,7%) confirmaram óbitos causados pela doença. Em 28 de março, apenas 297.

ASSOCIATED PRESS
Ministério da Saúde ocultou dados da pandemia e anunciou mudança na metodologia dos boletins epidemiológicos.

Ministério da Saúde dificulta análise

Até 4 de junho, o Ministério da Saúde enviava aos jornalistas, por meio de uma rede de transmissão via WhatsApp, um boletim com o total de casos e de óbitos confirmados nas últimas 24 horas, assim como o acumulado dos dois dados.

Após atrasar a divulgação desses boletins diários, na última sexta-feira (5) a imagem informava apenas os casos e óbitos confirmados nas últimas 24 horas, sem o acumulado. O total de diagnósticos e de mortes também deixou de estar disponível no site covid.saude.gov.br.

No fim de semana, o Ministério da Saúde informou que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. Na prática, ela inviabiliza uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também dificulta a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

Com a mudança de critério pelo governo federal, as “novas mortes” serão menores. Na prática, a medida também evita notícias sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Na mesma linha, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) criou o “Placar da Vida”, publicado diariamente nas redes sociais da Presidência. A publicação omite as mortes e destaca o número de recuperados.

Os integrantes do Ministério da Saúde não explicaram o motivo de adotar uma metodologia que causará esse tipo de prejuízo. Só é possível continuar comparando o total de óbitos se o ministério atualizar progressivamente as informações de mortes que tiverem a confirmação laboratorial após a data do óbito.

Nesta terça, em reunião ministerial com o presidente, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello disse que será feita atualização retroativa. “Quando você bota no cálculo diário você vê que é acumulado nos dias de registro. O que eu coloco como proposta é que a gente use os mesmos números, mas nos dias do óbito (…) e vai corrigindo os anteriores aí você passa a observar exatamente a curva”, afirmou.

Nos últimos dias, o Brasil chegou a ser excluído do mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, referência internacional. O país voltou a aparecer nesta segunda-feira.

Na noite deste domingo (8), o Ministério da Saúde enviou uma nota a jornalistas em que afirmava que em um novo site poderiam ser conferidos os “extratos da plataforma em desenvolvimento referentes ao Brasil, regiões nacionais, estados, capitais/regiões metropolitanas, com os respectivos gráficos de evolução diária dos novos registros”.

Em conjunto, foram enviados arquivos com capturas de tela do conteúdo que estaria nessa nova plataforma que entraria no ar “nos próximos dias”. O novo sistema ainda não está disponível.

Ainda no domingo, a pasta enviou uma segunda nota a jornalistas em que afirmava que o “novo modelo de divulgação de informações sobre a covid-19 abordará o cenário atual da doença, com análise de casos e mortes por data de ocorrência”. 

Desde domingo, a pasta também deixou de enviar aos jornalistas pela rede de transmissão via WhatsApp o boletim no formato anterior. Essa transmissão só foi retomada na terça-feira (9), após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Subnotificação da pandemia

Além da falta de transparência, a subnotificação também prejudica uma compreensão real do cenário da crise sanitária no País. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. 

Segundo balanço apresentado na última quinta, 1.085.891 exames do tipo moleculares RT-PCR foram realizados, sendo 556.094 processados em laboratórios públicos e 529.797 na rede particular. Na rede pública, 74,1% são analisados em até 5 dias, de acordo com o ministério.

O levantamento inclui ainda outros 748.916 testes rápidos, que identificam se a pessoa tem anticorpos para o novo coronavírus. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento.

A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Amazonas, com altos indicadores de mortalidade, têm iniciado esse tipo de medida.

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost