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26/08/2020 19:00 -03

Taxa de transmissão de covid-19 volta a crescer no Brasil, aponta Imperial College

Brasil registra novamente média de mil mortes em 7 dias. Nas últimas 24 horas, foram notificados 1.085 óbitos; total passa de 117 mil.

O total de mortes causadas pela covid-19 chegou a 117.665 nesta quarta-feira (26), de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h. Foram 1.085 óbitos notificados nas últimas 24 horas. 

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 29.194 registros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 15.700, Ceará (8.351), Pernambuco (7.460) e Pará (6.097).

Quanto aos casos confirmados, o acumulado é de 3.717.156, sendo 47.161 notificados nas últimas 24 horas.

A percepção de uma melhora na situação da circulação no Brasil de acordo com o monitoramento feito pelo Imperial College London mudou nesta semana. De acordo com o relatório mais recente, com dados até o último domingo (23), o País voltou ao patamar de 1 na taxa de transmissão (Rt). Nesse nível, cada infectado transmite a doença para uma pessoa, mantendo constante o contágio.

Na semana anterior, pela primeira vez desde abril, a taxa estava menor do que 1, em 0,98. Isso significa que 100 pessoas contaminadas contagiam outras 98 que, por sua vez, passam a doença para outras 96.

O indicador é nacional e devido à dimensão continental do Brasil, muitos estados e municípios ainda registro crescimento mais acelerado da transmissão.

O Imperial College calcula a taxa com base no número de mortes reportadas, mas há um intervalo entre o momento do óbito e o registro oficial que pode chegar a até 30 dias.

Em entrevista nesta terça (25), a Opas, braço da OMS (Organização Mundial da Saúde) nas Américas, reforçou mais uma vez a necessidade de manter a vigilância no continente.

Na comparação internacional, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os dois países repetem as posições também em relação ao número de diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 5,7 milhões de casos. A diferença entre as taxas de testagem entre os dois países - mais de 30 mil testes por milhão de habitantes nos EUA e menos de 10 mil por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Ao considerar a população de cada nação, o Brasil ocupa a 10ª posição tanto em relação aos óbitos quanto aos diagnósticos, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). São com 542,48 mortes por milhão de habitantes e 17.043,99 casos por milhão de habitantes. 

O novo coronavírus já causou mais de 820 mil mortes no mundo. São cerca de 23,9 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade de Hopkins, atualizados nesta terça.

Amanda Perobelli / Reuters
Após primeiro recuo, Brasil volta a aumentar taxa de transmissão medida pelo Imperial College de Londres.

Para onde a epidemia vai no Brasil?

Desde meados de maio, quando olhamos os dados acumulados nacionais, os gráficos epidemiológicos assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes acumulados. 

De acordo com boletim do Ministério da Saúde mais recente, divulgado nesta quarta, a média diária de óbitos na última semana analisada - encerrada em 22 de agosto - foi de 1.003, nível um pouco acima das semanas anteriores. Após duas semanas com indicador abaixo de mil, o País voltou a atingir a marca. A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde então, o marco tem sido alcançado com frequência.

O próprio boletim do Ministério da Saúde aponta diferenças na transmissão do vírus nas 5 regiões do País. Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas, na região Sul, houve redução nos casos (-17%) e mortes (-8%). No Sudeste, os casos reduziram em 15%, mas as mortes aumentaram em 8%. No Centro-Oeste, também houve redução nos casos (-11%) e aumento nas mortes (+17%)

No Norte, houve estabilização nos casos, com aumento de 2%, e incremento de 9% nos óbitos. No Nordeste, houve redução nos casos e nas mortes, de 14% e 5%, respectivamente. O cenário, contudo, também é muito diverso de um estado para o outro.  

 

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

A pasta também chegou a anunciar que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. A mudança, contudo, não foi colocada em prática até agora.

Na prática, ela inviabilizava uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalharia a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Com a mudança, as “novas mortes” seriam menores. A medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, foram distribuídos 5.723.484 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo o Ministério da Saúde, 4.152.652 exames moleculares haviam sido processados até 15 de agosto. A taxa de positividade era de 36,4% nos laboratórios públicos e de 31,2% nos particulares.

De acordo com painel da pasta, 7.976.380 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 6.100.454 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo. 

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