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20/03/2020 14:39 -03 | Atualizado 20/03/2020 14:47 -03

FGV prevê queda de mais de 4% do PIB do Brasil em 2020 por coronavírus

O governo revisou o crescimento do Brasil neste ano por conta da pandemia de coronavírus de 2,1% para 0,02%.

Somyot Techapuwapat / EyeEm via Getty Images
Previsão do PIB diminui. 

Apesar das medidas anunciadas pelo governo à economia por conta da pandemia de coronavírus, o PIB (Produto Interno Bruto) de 2020 pode encolher até 4,4%, segundo estimativa do Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV (Fundação Getúlio Vargas)

A queda expressiva — se realmente concretizada, a maior desde 1962, quando há informação disponível sobre o indicador — se baseia em um cenário conservador, segundo os economistas. O tamanho do encolhimento das riquezas no País vai depender do tempo que a crise do coronavírus durar. Ou seja, se for necessário prolongar as medidas de isolamento por mais tempo, os efeitos na economia também podem ser mais drásticos.

A estimativa oficial do governo anunciada em 11 de março era de que o Brasil crescesse 2,1% neste ano. Nesta sexta (20), houve uma revisão desta previsão para 0,02% por conta da pandemia de coronavírus. 

A estimativa da FGV se junta às previsões que já vêm sendo feitas por diferentes setores produtivos do País. A Associação Brasileira das Lojas Satélites (Ablos), que reúne lojas dos maiores shoppings, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estimam até 5 milhões de desempregados no comércio em todo o Brasil por conta da pandemia. 

O setor aéreo também já deu início a suas medidas para proteção de caixa, de forma a tentar evitar demissões em massa. Gol e Latam, por exemplo, anunciaram corte de jornada e de salário de até 50% e licença não remunerada. 

O País pode sofrer ainda com recuo de acordos comerciais que vinham sendo negociados. Segundo a Folha de S. Paulo, a Boeing está reavaliando a compra de linha comercial da Embraer, um acordo de cerca de R$ 21 bilhões. 

A Bolsa tem dado sinais diários dos efeitos do coronavírus nos investidores. Desde semana passada, o circuit breaker foi acionado 6 vezes após queda de mais de 10%. 

Analistas avaliam que o momento é de cautela em todo o mundo, não apenas no Brasil, onde o dólar, pela primeira vez na História ultrapassou os R$ 5 esta semana. Nesta sexta, a moeda norteamericana abriu a R$ 5,019.

Medidas econômicas

O governo tem anunciado desde segunda (16) medidas de socorro para evitar um impacto econômico muito profundo. Entre elas, está a antecipação do 13º para segurados do INSS, ampliação do Bolsa Família e pagamento de R$ 200 a trabalhadores informais e de baixa renda. 

Também foram anunciados o adiamento de cobranças de impostos de empresas e a possibilidade de reduzir até 50% na jornada e no salário dos funcionários. 

Foram ainda zeradas alíquotas para importação de produtos médico-hospitalares, além de terem sido liberados R$ 5 bilhões ao Ministério da Saúde.

Com a aprovação do estado de calamidade pública no Brasil nesta sexta-feira (20), o governo brasileiro poderá descumprir a meta fiscal, gastar mais do que o orçamento e custear ações emergenciais de combate ao coronavírus.

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