OPINIÃO
22/10/2020 10:00 -03 | Atualizado 22/10/2020 10:00 -03

Pandemia de covid-19 é uma provocação moral para todos, diz editor-chefe da Lancet

“É como um espelho que foi posto diante de nós, e pudemos ver o nosso reflexo nele bem claramente pela primeira vez em muito tempo”, diz Richard Horton.

Divulgação/Douglas Fry – Piranha Photography
Richard Horton, editor-chefe da revista científica sobre medicina The Lancet, compara a pandemia com um espelho através do qual as pessoas se deparam com os resultados de suas ações.

A pandemia causada pela covid-19 ultrapassa o tema da saúde ao escancarar as desigualdades das sociedades que deixam as pessoas vulneráveis à doença, além do despreparo dos governos para lidar com a situação. Na entrevista concedida ao canal UM BRASIL – uma realização da FecomercioSP –, o editor-chefe da revista científica sobre medicina The Lancet, Richard Horton, compara essa experiência a um espelho.

“Estamos ainda nos primórdios desta epidemia e podemos ver milhares de pessoas em praias, mas, quando houver um ressurgimento da infecção e mais pessoas morrerem, será uma dura lição a ser aprendida. Acredito que esta pandemia seja uma provocação moral para cada um de nós, para cada país e para o mundo. É como um espelho que foi posto diante de nós, e pudemos ver o nosso reflexo nele bem claramente pela primeira vez em muito tempo”, diz Horton.

Na gravação, Horton diz ao entrevistador Daniel Buarque que o surto de SARS-CoV-2 foi comunicado pela China, mas alerta que, além dos avisos terem sido ignorados no início da pandemia, governos populistas – como os do Brasil, da Índia e dos Estados Unidos – se negam a ouvir os cientistas neste momento, o que explica o grande número de casos.

“Acho que houve uma crença [dos governos] de que, se houvesse uma epidemia, seria como a gripe, e houve uma tendência de as pessoas pensarem ‘não acontecerá conosco’. Não acreditavam que a epidemia seria tão séria quanto é. Estamos vendo que são as pessoas mais vulneráveis em nossas comunidades quem mais sofrem. Os mais velhos, as pessoas de comunidades indígenas, os negros, os asiáticos, as minorias étnicas, as mulheres que ficam em casa com os filhos – cujo sofrimento inclui níveis maiores de violência doméstica – e, claro, os serviços essenciais, que estão na linha de frente de exposição”, complementa.

Assista à entrevista completa:

Este artigo é de autoria de articulista do HuffPost e não representa necessariamente ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.