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12/03/2020 22:21 -03

Senado estuda recesso de duas semanas quando coronavírus atingir pico

Câmara e Senado restringiram acesso. Deputados que estiveram em países com transmissão local, como nos EUA, serão afastados por 14 dias.

SERGIO LIMA via Getty Images

A escalada de casos de coronavírus no País, mas especialmente a confirmação, nesta quinta (12), da chegada do vírus ao centro do Poder em Brasília, deixaram as autoridades em alerta. Em reunião no fim da tarde, a diretoria do Senado começou a estudar a necessidade de convocar um recesso. Embora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, esteja pedindo “cautela” a todos, a avaliação é que, na época que a doença atingir o pico, a medida será inevitável. Segundo o Ministério da Saúde, em até duas semanas e meia espera-se um aumento exponencial do número de casos. 

Um boato de um recesso iminente correu pelos corredores da Casa na quinta, mas não passou de alarde. O princípio de pânico ocorreu porque quatro parlamentares integraram a comitiva do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos - os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e Daniel Freitas (PSL-SC), e os senadores Nelsinho Trad (PTB-MS) e Jorginho Mello (PL-SC) -, da qual também fez parte o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, que está com COVID-19.

Todos os integrantes da comitiva presidencial estão sendo monitorados e passaram por exames nesta quinta. 

Antes do resultado de Wajngarten sair, no entanto, eles estiveram no Congresso. Eduardo, por exemplo, participou da sessão do Congresso na quarta (11), no plenário da Câmara, em que mais de 400 pessoas estavam no local. 

O senador Nelsinho Trad se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assim que voltou dos Estados Unidos, ao lado de outras lideranças da Casa. 

Medidas preventivas 

De início Câmara e Senado anunciaram medidas preventivas contra o coronavírus na quarta-feira (11).

O ato da Mesa Diretora da Câmara publicado em edição extra do Diário Oficial da Casa determina, em seu artigo 5°, que “os parlamentares, servidores e demais colaboradores que estiveram em locais onde houve infecção por COVID-19, constantes da lista do MS [Ministério da Saúde], serão afastados administrativamente por até 14 (quatorze) dias a contar do regresso dessas localidades”. 

Isso significa que tanto Eduardo como Daniel Freitas devem comunicar a Maia e não comparecer ao Congresso pelo período. 

Já o Ato do Senado é mais brando. Determina que, em caso de viagem para “países com reconhecida transmissão local”, o parlamentar deve comunicar ao Serviço Médico “para acompanhamento e monitoramento”.  

Apenas daqueles que tiverem sintomas será cobrado o afastamento por 14 dias, a contar do retorno. 

Apesar disto, o senador Nelsinho Trad resolveu se isolar por conta própria até que os exames que realizou fiquem prontos. 

O HuffPost tentou contato com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para saber se ele se submeterá a exames por ter tido contato com Trad, mas não obteve retorno. Também não conseguiu confirmar a informação por meio de sua assessoria de imprensa. No Senado, Alcolumbre confirmou que vai fazer o exame. Por lá, circulam cerca de 11 mil pessoas diariamente. 

Em ambas as Casas foram suspensas as visitas, e também deve haver discussão, nos próximos dias, sobre restringir as visitas que os parlamentares recebem. 

Até hábitos do dia a dia mudaram, como entregas de comida por aplicativos. Quem pedir, terá que ir até a portaria para buscar. 

No Senado, por exemplo, medidas de higiene serão reforçadas. A cada hora haverá funcionários passando álcool sobre as superfícies.

Foram canceladas audiências públicas com participação popular. Estes eventos serão transmitidos pela web e os internautas poderão enviar perguntas. 

Há ainda preocupação cm eventos futuros, como a marcha anual dos prefeitos, prevista para o fim de março. Todos os anos o evento reúne mais de seis mil pessoas em Brasília e lota o Congresso Nacional. 

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