OPINIÃO
05/11/2014 16:02 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

"Constantine", a série: esperança para os fãs de Hellblazer?

Com o segundo episódio exibido, já é possível ter-se uma ideia dos rumos e da qualidade do seriado Constantine, epônimo derivado do personagem principal dos quadrinhos Hellblazer.

Divulgação

Com o segundo episódio exibido (The Darkness Beneath), já é possível ter-se uma ideia dos rumos e da qualidade do seriado Constantine, epônimo derivado do personagem principal dos quadrinhos Hellblazer. E o futuro parece sombrio para os fãs.

Meu primeiro contato com Hellblazer se deu por meio da versão brasileira dos quadrinhos, então editada pela Abril numa revista que trazia outras histórias do selo Vertigo, da DC Comics.

[AQUI VAI UM SPOILER LEVE] Não foi difícil ficar fissurado pela aventura do ocultista pilantra John Constantine na busca por uma escapatória de seu destino escatológico: à beira da morte, graças ao câncer terminal causado pelo fumo obsessivo, esse anti-herói passaria a eternidade no Inferno, cortesia de sua conduta desregrada e de sua postura ética. O modo como ele escapa da enrascada é digno dos melhores pensadores da Teoria Econômica do Direito. [FIM DO SPOILER].

O filme de 2005, com Keanu Reeves no papel principal, preserva apenas um pouco da ambientação da linha narrativa, mas despreza quase todos os demais elementos (uma pena, dado que o elenco também contava com Rachel Weisz). Também depõe contra a iniciativa a atrocidade feita na adaptação do arco narrativo "Deadly Habits", exatamente aquele de minha primeira leitura nos quadrinhos.

O seriado é fiel a alguns elementos dos quadrinhos, como a circunstância de Constantine ser inglês (Irrelevante? Leitores cativos costumam ser descomunalmente ciosos quanto as filigranas). Porém, os dois primeiros capítulos dissociam-se dos temas mais controversos típicos da publicação impressa. Faltam à caracterização da personagem o niilismo canastrão e contestador. Essa falha não parece ser creditável ao ator que vive o protagonista, Matt Ryan; o erro provavelmente se deve ao roteiro. O John Constantine do seriado não deixa de ser irreverente, mas se trata de uma irreverência cliché, caricata e espalhafatosa.

A despeito de bons efeitos especiais, os dois episódios também não chegaram a ser assustadores. E me refiro a ambos os tipos de sustos: tanto o macabro, implícito e simbólico, próprio do gênero que tem Poe e Lovecraft como expoentes mais lembrados, como o susto-choque, repentino, gráfico (típico dos slasher movies).

Constantine compete com uma pletora de seriados de temática ocultista ou de tom supostamente mais sorumbático, como Supernatural, American Horror Story, Penny Dreadful, Walking Dead, Bitten, Ressurection, Helix e Teen Wolf. Ainda é cedo para rotulá-lo como mais um em meio à multidão. Porém, sem uma correção de rumo, os leitores de Hellblazer ainda terão de aguardar por uma obra cinematográfica que faça jus ao prazer que os quadrinhos proporcionam.

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